O Twitter banirá, a partir de 22 de novembro, todos os anúncios publicitários de teor político de sua plataforma, afirmou nesta quarta-feira (30/10) o CEO da empresa, Jack Dorsey.

O executivo anunciou a medida em uma série de postagens na rede social, argumentando que políticos deveriam conquistar seu público, em vez de pagar por isso. Ele disse ainda que a possibilidade de políticos pagarem por alcance é algo ruim para a democracia.

“Decidimos interromper toda a propaganda política no Twitter globalmente. Acreditamos que o alcance da mensagem política deve ser conquistado, não comprado”, escreveu Dorsey.

“Embora a publicidade na internet seja incrivelmente poderosa e muito eficaz para anunciantes comerciais, ela pode trazer riscos significativos para a política, podendo ser usada para influenciar votos e afetar a vida de milhões de pessoas”, completou.

Segundo o executivo, é incoerente dizer que a empresa está se esforçando para impedir que a plataforma seja usada para espalhar informações falsas, mas, ao mesmo tempo, permitir que pessoas “digam o que quiserem” se estiverem pagando para forçar usuários a verem seus anúncios políticos.

Dorsey afirmou ainda que o Twitter considerou impedir somente a publicidade de candidatos, mas sugeriu que essa medida poderia ser facilmente contornada. “Além disso, não é justo que todos, exceto candidatos, possam comprar anúncios para as questões que desejam divulgar. Então, estamos interrompendo esses também”, escreveu.

“Estamos bem cientes de que somos uma pequena parte de um ecossistema de publicidade política muito maior. Mas temos testemunhado muitos movimentos sociais atingindo uma escala maciça sem nenhuma publicidade política. Eu acredito que isso só vai crescer”, acrescentou.

“Uma nota final. Não se trata de liberdade de expressão. Trata-se de pagar por alcance. E pagar para aumentar o alcance de um discurso político tem ramificações significativas com as quais a infraestrutura democrática de hoje pode não estar preparada para lidar. Vale a pena dar um passo atrás”, concluiu.

Segundo Dorsey, o Twitter divulgará seus novos termos até 15 de novembro, incluindo algumas exceções. Por exemplo, anúncios que convocam pessoas às urnas e que apoiam o registro de eleitores (em países onde o voto não é obrigatório) ainda serão permitidos. A nova política começará a ser implementada em 22 de novembro.

A medida vem num momento em que plataformas de mídia social estão sob pressão para impedir que grupos políticos as usem para divulgar informações falsas e influenciar resultados de votações. Isso teria acontecido com o Facebook durante a eleição presidencial dos Estados Unidos e o referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, ambos em 2016.

A rede social de Mark Zuckerberg pegou fogo depois que divulgou, no início de outubro, que não verificaria a veracidade do conteúdo de publicidades pagas por políticos ou suas campanhas, permitindo que eles divulguem mentiras livremente.

Em audiência no Congresso na semana passada, Zuckerberg afirmou que políticos têm o direito à liberdade de expressão no Facebook.

A questão veio à tona em setembro, quando o Twitter, juntamente com o Facebook e o Google, se recusou a remover um anúncio em vídeo com informações falsas promovido pela campanha do presidente americano, Donald Trump, e que tinha como alvo o ex-vice-presidente Joe Biden, pré-candidato democrata à Casa Branca em 2020.

Em resposta, a senadora democrata Elizabeth Warren, também pré-candidata à Presidência, publicou seu próprio anúncio no Facebook, este mirando Zuckerberg. A publicidade alegava falsamente que o CEO da rede social endossou a reeleição de Trump.