Da hiperexposição no Instagram à discrição das conversas privadas no WhatsApp, o amor em tempos de Tinder sofre as agruras trazidas pelas novas tecnologias, que cadenciam o comportamento de casais — e solteiros. Com as redes sociais, a rotina de alguns relacionamentos mudaram: é muito mais fácil achar um “motivo” para começar uma discussão. Até que ponto é saudável stalkear o parceiro ou a parceira pelas redes sociais? O crush curte e comenta todas as fotos que passam por sua timeline, e agora? Ele está online e não responde, devo começar uma discussão por causa disso?

Apesar dos altos riscos envolvidos, as psicólogas Adriana Nunan e Maria Amélia Penido acreditam que as redes sociais podem ser usadas de forma saudável e, para isso, elas escreveram o livro “Relacionamentos Amorosos na Era Digital”, lançado nesta quinta-feira, 3. A pedido de VEJA, elas dão dicas de como os parceiros podem evitar desgastes em situações que são o estopim para um crise.

Como casais podem lidar com as saias-justas na internet:

Fotos de ex

Nas redes sociais, o passado está mais exposto do que nunca. Fotos publicadas há anos podem ser o estopim de uma crise de ciúmes. “O casal deve tomar junto a decisão de apagar ou não as imagens mais antigas”, afirma Maria Amélia Penido.

DR por WhatsApp

Como o aplicativo de mensagens vira muitas vezes o principal meio de comunicação, há casais que discutem a relação pelo Whatsapp. A frase que poderia ser reconciliadora cai como uma ironia e aumenta a briga. Há pessoas que tiram print da conversa para os amigos opinarem sobre a discussão. “Relacionamento se discute ao vivo”, diz Adriana Nunan. “O WhatsApp é para mensagens curtas e fofas.”

Curtidas e comentários

A curiosidade, muitas vezes combinada com o sentimento de insegurança, faz as pessoas vasculharem os posts nas redes sociais. Curtidas e comentários encontrados nesse trabalho de arqueologia digital podem gerar o chamado “ciúme retroativo”. “Se uma das partes está se sentindo constrangida com algum conteúdo das redes sociais, é preciso conversar e estabelecer um acordo”, sugere Maria Amélia Penido.

Monitoramento

Levada ao exagero, a possibilidade de acompanhar boa parte da rotina das pessoas pelas redes sociais pode dar margem a relacionamentos abusivos. Isso ocorre quando o hábito de dar uma olhada na página vira uma paranóia de monitoramento — ou, até mesmo, quando você exige de seu parceiro a localização do celular para monitorá-lo. “Ao mesmo tempo em que aproxima as pessoas, as redes sociais dão margem para expor o que há de pior em cada um”, afirma Adriana Nunan.