Quando estourou em 2017, Pabllo Vittar rompeu barreiras do underground e chegou ao mainstream de forma orgânica e viral. À época, a drag queen era uma artista independente e não estava associada a uma grande gravadora. Agora, atualmente ela tem dificuldade para entrar na programação das emissoras e é até boicotada publicamente por locutores, que se recusam a atender pedidos dos ouvintes.

O episódio vexaminoso dessa semana vem de um locutor da Panorama 100.1 FM, do interior do Paraná. No ar, ele se recusa a tocar uma música da Pabllo – pedido de um ouvinte – e ainda debocha, de forma preconceituosa, da voz da artista. Não trata-se de um caso isolado: em fevereiro um locutor de uma emissora do interior da Bahia também se recusou a atender pedidos e anunciou boicote. “A gente não toca e ponto final, por**!”, disse o radialista.

Com “Todo Dia” e “K.O.”, primeiros singles do seu primeiro álbum de estúdio “Vai Passar Mal”, Pabllo recebeu um apoio inesperado de muitas rádios populares do Brasil. Para um artista novo, independente e, sobretudo, do segmento LGBT, era quase inexplicável uma recepção tão positiva. Provavelmente, era uma época de um país mais tolerante. Tolerância que levou Pabllo a ganhar o Prêmio de Música do Ano no Melhores do Ano, do Domingão do Faustão, vale lembrar. Como um dos alvos favoritos de criadores de “Fake News”, Pabllo sofreu com notícias bizarras que circularam pelo Brasil durante a campanha eleitoral presidencial: “Pabllo Vittar vai apresentar programa para crianças trans e homossexuais na TV”; “Pabllo Vittar diz que vai sair do Brasil se Bolsonaro for eleito”; “Pabllo Vittar vai estampar as novas notas de 50 reais” são algumas manchetes que circularam com força nos “grupos de zapzap”. Com o bordão “Pabllo Vittar foi longe demais”, muitos memes foram propagados, mas a drag precisou vir a público para esclarecer as notícias falsas:

Com Bolsonaro eleito – com mais de 50 milhões de votos -, a agenda para um país ainda mais conservador e intolerante têm sido colocada em prática. Não por acaso, Marcelo Crivella, Prefeito do Rio de Janeiro, foi abraçado por seu eleitorado ao perseguir, inconstitucionalmente, a Bienal do Livro por comercializar um HQ que traz um beijo gay entre dois personagens. Infelizmente, é provável que Pabllo Vittar e outros artistas LGBTQ+ vão sofrer retaliações e boicotes nesses tempos obscuros, portanto é necessário que os fãs estejam prontos para apoiar os artistas e demonstrarem repúdio.