Uma equipe de cientistas descobriu recentemente uma nova classe de estrelas pulsantes, que variam seu brilho a cada cinco minutos. Ela foi chamada de “subanã pulsador quente”, e pode ter parentesco com um outro tipo raro de estrela, a “azul pulsador de grande amplitude”.

A equipe, liderada Thomas Kupfer, publicou os resultados da descoberta no The Astrophysical Journal Letters. Kupfer explica que “muitas estrelas pulsam, até o nosso Sol, em escala muito pequena”. Mas um verdadeiro pulsador pode ter uma variação de brilho muito maior. Acontece que nenhum dos vistos antes era tão rápido quanto essas novas estrelas descobertas agora.

Estrelas do tipo pulsadores são variáveis, mas até então conhecíamos apenas aquelas que podem variar até 10% em brilho devido a mudanças na temperatura, no diâmetro, ou ambos. Só que as quatro novas estrelas descobertas pulsam a cada 200 e 475 segundos, variando cerca de 5% em luminosidade.

Uma descoberta acidental

Inicialmente, Kupfer e seus colegas do Caltech procuravam estrelas binárias com períodos orbitais inferiores a uma hora. Mas, para a surpresa de todos, quatro estrelas se destacaram devido a grandes mudanças no brilho em apenas alguns minutos. Os dados confirmaram que esses astros eram na verdade pulsadores, e não sistemas binários, como chegaram a cogitar. Kupfer e seus colaboradores então identificaram os pulsadores como estrelas subanãs quentes.

Uma subanã é uma estrela com cerca de um décimo do diâmetro do Sol e massa entre 20% e 50% da nossa estrela solar. Elas são incrivelmente quentes e brilhantes, chegando a até aproximadamente 49.982ºC, e se formam quando acaba o hidrogênio antes da fusão de hélio. Por causa da pouca massa, a equipe acredita que elas no início eram tipicamente semelhantes ao Sol, fundindo hidrogênio ao hélio em seus núcleos.

Depois de esgotar o hidrogênio, as estrelas se expandiriam para o estágio gigante vermelho. O normal é que ela atinja seu maior raio e comece a fundir o hélio, só que esse não parece ter sido o caso das quatro pulsantes recém-descobertas: elas teriam perdido o seu material externo, que teria sido “roubado” talvez por uma companheira em um sistema binário, antes que o hélio ficasse quente e denso o suficiente para a fusão.

Isso muda um pouco a forma de pensar sobre a formação das estrelas. Até então, acreditava-se que as subanãs quentes sempre seriam estrelas que se tornavam gigantes vermelhas e começavam a fundir hélio em seus núcleos. Mas as novas descobertas indicam que há outros tipos de estrelas dessa categoria: algumas fazem a fusão de hélio e outras não, segundo a conclusão de Kupfer.

Embora a descoberta tenha sido uma surpresa, elas funcionam bem nos modelos teóricos atuais. As pulsações dessas estrelas permitiram aos cientistas sondar suas massas e raios e comparar essas medidas com os modelos, e assim foi possível entender essas variações rápidas. Isso abre caminho para novas idéias sobre a evolução estelar.

Fonte: Space Daily