Um novo relatório feito pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos aponta que um surto de salmonela que adoeceu mais de 250 pessoas no País em 2018 pode ter sido estimulado pelo aumento no uso de alguns antibióticos em vacas.

De acordo com o relatório, os primeiros casos surgiram em junho do ano passado. De junho de 2018 a março de 2019, autoridades estaduais e municipais de saúde documentaram um total de 255 casos em 32 estados localizados nessa mesma linhagem.PUBLICIDADE

Dos cerca de 200 casos em que eles tinham informações concretas, 60 pessoas acabaram hospitalizadas, 10 desenvolveram uma infecção de sangue com risco de vida e duas morreram (as mortes envolveram pessoas com outras complicações de saúde, mas as infecções tiveram influência).

Fonte: Divulgação/Pixabay. 

Esses casos, encontrados durante uma investigação em outro surto de salmonela não relacionado, foram causados ??por uma cepa de Salmonella Newport que é resistente a diversos antibióticos, principalmente a azitromicina. Antes do surto, a resistência à azitromicina era extremamente rara. Pesquisadores do Centro rastrearam as infecções até os bovinos dos Estados Unidos e do México (principalmente nos queijos frescos mexicanos, que normalmente são feitos de leite não pasteurizado). Testes genéticos sugerem que as vacas dos dois países contenham salmonela.

No relatório os pesquisadores observam que apenas um ano antes, a Food and Drug Administration registrou um aumento de 41% no uso de antibióticos chamados macrolídeos pelos pecuaristas. Os macrolídeos são uma classe de antibióticos que inclui a azitromicina. Como os antibióticos dentro de uma classe funcionam para matar bactérias de maneira semelhante, a resistência bacteriana a uma droga em uma classe pode levar à resistência a outras drogas da mesma classe.

Dessa forma, o aumento no uso de macrolídeos poderia ter estimulado a ascensão e disseminação da cepa Newport. “Evitar o uso desnecessário de antibióticos em bovinos, especialmente aqueles que são importantes para o tratamento de infecções humanas, poderia ajudar a prevenir a propagação de bactérias resistentes”, ressaltaram os pesquisadores.

Fora de controle

Embora o surto pareça ter acabado por enquanto, é provável o número de pessoas infectadas seja muito maior que o registrado. A maioria das pessoas infectadas com uma variedade prejudicial de salmonela desenvolve sintomas como diarréia, febre e cólicas estomacais, mas a maioria se recupera sem tratamento, sem nunca visitar um médico. 

Além disso, todos os genes encontrados na linhagem que o tornou resistente foram encontrados em um plasmídeo – pedaços de DNA móveis que podem ser trocados entre diferentes espécies de bactérias. E como o gado hoje é alimentado com mais antibióticos do que o necessário, as condições para uma maior resistência aos antibióticos entre as bactérias infelizmente ainda são favoráveis.

Para reduzir o risco de infecções – resistentes ou não a medicamentos – as autoridades de saúde aconselham os consumidores a não consumir produtos feitos com leite não pasteurizado e garantir que a carne atinja temperaturas de cozimento seguras: 145,8°F (62,8 ° C) para carnes e assados, seguidos de 3 minutos de tempo de descanso e 160°F (71,1 ° C) para carne moída ou hambúrgueres.